24 fevereiro 2022

Seniors 5.0: Os Migrantes Digitais

Por Florinda Pargas Gabaldón.

A palavra sênior é um adjetivo, designado para o nome próprio de uma pessoa que indica que essa pessoa é mais velha que outra relacionada a ela, geralmente seu filho, e de mesmo nome. Refere-se também a uma categoria e experiência superior àqueles que exercem a mesma profissão ou cargo. Hoje, em meio às mudanças da Quarta Revolução Industrial, faz-se referência a uma questão geracional, uma transformação que está impactando os mercados do âmbito laboral, cultural e social.

Quando falamos de Seniors 5.0, não nos referimos apenas a pessoas com mais de 50 anos, estamos também a apontar para uma mudança de paradigma, do Pensamento 4.0 para a Sociedade 5.0, uma profunda transformação de todos os nossos sentidos. Para mergulhar nesse novo paradigma e seu impacto em nossa evolução como sociedade, convido você a ler meu artigo Do Pensamento 4.0 à Sociedade 5.0: desafios da transformação digital.

Há alguns anos, havia um caminho traçado com três etapas muito claras, em nossa trajetória de desenvolvimento profissional e de vida: estudar pouco mais de 20 anos, trabalhar algumas décadas e se aposentar por volta dos 65 anos, com uma aposentadoria tranquila. Paradigmas sobre a forma de trabalhar que pareciam intocáveis ​​estão sendo desfeitos como resultado da pandemia.

O fundador da Singularity University e autor do livro “Organizações Exponenciais”, Salim Ismail, destaca o impacto do aumento da longevidade na sociedade: “Estamos adicionando três meses às nossas vidas para cada ano civil: Em uma década ou duas, ou três, a ciência descobrirá tratamentos que lhes permitirão viver por muito tempo, e que afetará o emprego, as famílias, o planejamento da aposentadoria, será um fenômeno sem precedentes na sociedade”.

Ou seja, a maioria viverá mais de cem anos, o que exigirá que todos façamos planos para a segunda metade de nossas vidas. Os governos terão que adiar a idade de aposentadoria e modificar radicalmente os planos de pensão.

No entanto, esta crise encerra uma oportunidade e abre uma janela para a construção de novos modelos de organização, aprendizagem e implementação do conceito de equipas intergeracionais para a gestão de projetos específicos ou transversais como aceleradores da transformação cultural pós-pandemia. Durante a pandemia, o talento sênior mostrou que pode se adaptar perfeitamente às mudanças culturais e tecnológicas.

É preciso conscientizar as organizações sobre o valor que a diversidade geracional traz para a empresa, que é uma prioridade. O maior desafio, manter o equilíbrio e a coerência emocional, durante esses processos sociais disruptivos.

Perante uma crise como a que vivemos atualmente, e que atinge duramente as empresas, a arte de gerir o talento exige uma visão e um foco estratégico que preserve os princípios e valores básicos da organização, tanto para superar a situação atual como para assegurar posteriormente a processo de recuperação e crescimento.

Tudo isso exige competir pelos melhores talentos disponíveis, dos quais uma parte importante são os seniors. Portanto, a gestão inteligente do talento sénior deve se tornar uma variável estratégica nos planos de ajuste e reestruturação organizacional. O talento sénior tem de se formar dentro da empresa e se manter atualizado com as novas tecnologias, bem como fortalecer a rede de contactos e networking.

Como fazê-lo?

É preciso eliminar os preconceitos sobre os profissionais com mais de 50 anos. É o momento certo para promover um processo de gestão da mudança que supere uma cultura baseada nos estereótipos gerados ao longo do século XX. Conscientizar a organização sobre o valor que a diversidade geracional traz para a empresa. Projetar novos planos de carreira que atendam às expectativas de profissionais “sênior” valorizados. Abrir e convidar expressamente os profissionais “séniores” a participarem ativamente em processos de reaprendizagem e reforço de novas competências, se assim o exigirem, sem erros ou preconceitos devido à idade.

Em paralelo à automação e inteligência artificial, devemos apostar em maior diversidade geracional, agilidade, produtividade e desempenho. Uma equipe multigeracional não é apenas a coincidência de profissionais de diferentes gerações num mesmo grupo, mas implica também a criação e gestão consciente e específica de uma equipe com estas características. Atrair, desenvolver, promover e reter o talento senior de alto valor profissional, fomentando a troca de conhecimento com profissionais mais jovens, ativando o que chamo de “Mentoring Bimodal”, para promover a transferência de conhecimento e experiências intergeracionais nas organizações.

Como você está vivendo seus processos de mudança e transformação?

Esta jornada incrível e maravilhosa é o momento certo para peneirar, aproveitando o que soma, o que constrói. Trocando de pele e renovando o que é preciso: Foco e Perspectiva, Conexões, Comunicação Saudável e Assertiva, Escuta Ativa e Bem-Estar Abrangente.

Precisamos de mais habilidades humanas do que tecnológicas e isso requer uma jornada interior muito honesta. Aprenda a conviver com nós mesmos, para poder conviver com os outros. De Norte a Sul do planeta, observamos o impacto dos acontecimentos recentes. Uma gestão emocional saudável, aceitar que está tudo bem não estar bem, ativar o autocuidado, fortalecer nossos ecossistemas e desfrutar plenamente da incerteza, são aspectos fundamentais para avançarmos juntos em direção a novos horizontes.

Te escuto, te abraço e te acompanho no processo.

Florinda Pargas Gabaldón

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