8 outubro 2021

Todos estamos em Crise…

Por Florinda Pargas Gabaldón.

Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola (RAE), a palavra crise refere-se a uma “mudança profunda com consequências importantes em um processo ou situação, ou na forma como são apreciadas”. De acordo com esta definição e, tendo em conta os processos disruptivos (políticos, sociais, económicos, tecnológicos) que a humanidade tem vivido nos últimos anos, profundas mudanças com consequências importantes que nos têm afetado, desde diferentes perspectivas, então podemos dizer que SOMOS TODOS EM CRISE.

Mas essas mudanças, transformações, rupturas, mudanças, perdas, não fazem parte da vida cotidiana e da evolução humana? Se olharmos para trás, podemos observar muitas situações semelhantes, eventos caóticos, desastres naturais, invenções revolucionárias, que transformaram continuamente o ser humano. A crise, mudança e transformação são uma parte fundamental do nosso processo evolutivo. Talvez, esqueçamos isso, ativando uma falsa crença de “controle” que nunca existiu.

Então o que nós podemos fazer? Aceitar a situação estoicamente e vagar como náufragos? Ou podemos enfrentar os desafios, com uma atitude desafiadora e aventureira? Somos gestores da nossa emocionalidade, aí podemos agir, gerir os nossos medos e ansiedades, para os equilibrar e permitir-nos avançar com coragem, aceitando a incerteza e as dúvidas, para ativar o pensamento criativo e disruptivo, que nos permita criar e projetar possíveis cenários.

Minha proposta é administrar a crise, com ferramentas que nos permitam identificar nossos processos pessoais, redefinir rumos, focos e objetivos, fazer um inventário de nossos recursos, visualizar cenários, avaliar seus impactos e a perspectiva a partir da qual estamos observando. Isso se aplica a indivíduos e organizações. Todos nós precisamos parar, reavaliar o curso, revisar suprimentos, reorientar as prioridades e recalibrar as estratégias para seguir em frente em meio a tempestades transformadoras.

Gerenciar a crise é fundamental, assumindo uma nova visão de liderança inspiradora, com visão de futuro. Um líder capaz de errar, de brincar de tentativa e erro, aberto a novos aprendizados e experiências, capaz de se surpreender e recuar, de seguir em frente, sem se frustrar por abandonar o caminho. Seguir o exemplo de Darwin, Einstein ou Madame Curie.

Um primeiro passo fundamental é avaliar nossa situação atual, nossa emocionalidade, fazendo uma revisão das nossas capacidades, habilidades, pontos fortes e fracos, de forma que possamos ter clareza sobre o cenário, identificando oportunidades e ameaças, o que nos permitirá desenhar um plano de ação, uma nova rota, recalibrando as metas e objetivos.

O próximo passo é aceitar a incerteza como uma companheira permanente nesta jornada, bem como as possibilidades de errar, regredir ou mudar. Aceite também os sucessos, celebre os pequenos e grandes triunfos, que servem de incentivo e inspiração.

Por fim, recomendo acompanhamento, amigos, aliados, equipe, família, todos aqueles que compartilham esse propósito comum, esses princípios e valores, que agregam ao sonho, fazendo sinergia, agregando vontades. Sozinhos podemos nos mover rápido, mas juntos vamos longe, tornando a viagem uma grande aventura.

Estou muito grata, com minha crise pessoal. Isso me levou a explorar possibilidades, que eu não havia considerado antes, para migrar (física e digitalmente), para voltar e pular no vazio, para reforçar minha fé e esperança, para mudar crenças e paradigmas, para ouvir mais, para me apegar menos. Minha crise me obrigou a olhar no espelho e reconhecer minhas imperfeições, para iniciar um caminho de aceitação e encontrar meu propósito.

Convido você a aceitar sua crise, recebê-la, celebrá-la e encontrar nela todas as possibilidades que ela oferece. Eu te escuto, eu te abraço e te acompanho no processo.

Florinda Pargas Gabaldón

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